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Acabei de ler esta matéria no Yahoo Notícias e achei muito interessante: “Nome sujo, sem emprego”. A reportagem afirma que “a Justiça está fechando o cerco às empresas que recusam candidatos a emprego por estarem com “nome sujo” ou que incluam nas condições para seleção e contratação a não existência de dívidas. Mais ainda: os juízes estão proibindo os empregadores de consultar cadastros de inadimplentes, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Serasa”.

Esta é uma questão muito delicada e que, infelizmente, é realidade em nosso país. Muitas empresas – principalmente as grandes – não contratam candidatos que estejam com o nome negativado. Já preencheu cadastro em um site ou ficha de inscrição durante uma seleção? Sempre pedem seu CPF – justamente para que ele seja consultado e sua vida financeira seja investigada, mesmo sem sua autorização. Às vezes, por mais bem preparado e adequado ao cargo ao qual disputa, o candidato que estiver com o nome incluso no SPC e Serasa dificilmente será contratado.

A reportagem do Yahoo consultou o advogado Antonio Carlos Aguiar, especialista em direito do trabalho, e ele afirmou que “a lei só permite esse tipo de exigência para trabalhar como caixa em bancos, e mesmo assim a consulta deve ser solicitada ao candidato. Do contrário, a empresa comete outro crime: investigar a vida privada do candidato sem autorização”. Mas quem disse que a lei no Brasil sempre é cumprida?

Endividar-se é fácil, principalmente com a facilidade e as ofertas de crédito existentes no mercado. O brasileiro, otimista por natureza, é imediatista e nem sempre pensa e se planeja a longo prazo, afinal, “o amanhã será ainda melhor” (é a minha opinião, não estou falando isso com base em pesquisa alguma). Mas a facilidade encontrada na hora de se obter o crédito não é a mesma na hora de se renegociar uma dívida. Logo, inadimplência na certa.

Problemas de saúde, dificuldades familiares e desemprego são apenas algumas das causas que pode levar uma pessoa a não quitar seus débitos. Recusar um emprego a uma pessoa nesta situação é condená-la a um círculo vicioso: perde o emprego, acumula dívidas, seu nome fica “sujo”, não consegue outro emprego por isso, mais dívidas se acumulam e, com elas, as humilhações e constrangimentos…

Nossa sociedade é hipócrita e demagoga. Se campanhas são realizadas para que ex-detentos tenham uma segunda chance e consigam emprego, por que negar uma segunda chance a quem está endividado? Sinceramente, eu não compreendo isso…

E você, o que pensa sobre isso?

Até logo!

Há vagas?

Há vagas?

Julho de 2003. Fim do estágio, sem nenhuma possibilidade de renovação do contrato, por motivos burocráticos. O tempo se esgotara e não havia nada a fazer. Foi um mês de choramingos e intermináveis despedidas.

Minha única alternativa era sair em busca de um novo emprego. Afinal, ainda restava um ano e meio de curso para conseguir meu diploma.

Essa busca não foi nada fácil. Descobri que ter um curso universitário no currículo pode atrapalhar ao invés de ajudar na hora da procura. Por exemplo, quando levei meu currículo para uma vaga em uma lojinha de fotocópias, o gerente se assustou: “mas você está fazendo universidade, e é uma vaga para tirar fotocópias!”. Respondi: “eu sei, preciso de trabalho, não posso me dar ao luxo de escolher a vaga, o que eu conseguir está de bom tamanho”. Essa argumentação não o convenceu, e ele respondeu que, por eu ter uma formação superior, poderia arrumar um emprego melhor e deixá-lo na mão, ou então reivindicar salário melhor. Perdi a vaga.

Não sei quantos currículos deixei nesta pequena cidade de seiscentos mil habitantes. Apenas uma empresa estava contratando: a maior empresa de telemarketing da cidade. Aliás, esta empresa sempre contrata novos funcionários, não importa a época do ano, e tal fato se justifica pela grande rotatividade da mão-de-obra. Ou seja, isto não era um bom sinal.

Quando a situação ficou insustentável (contas vencidas + geladeira vazia + desespero = aceito qualquer emprego), um colega levou meu currículo para a tal empresa. No mesmo dia ligaram marcando uma entrevista para o dia seguinte. Na verdade, uma dinâmica. Passei.

Na semana seguinte, testes de audiometria e fonoaudiologia. Audição e dicção, passei. Em seguida, a parte considerada mais “difícil” segundo os recrutadores: uma redação e uma prova de português ridícula. Passei com folga…

Acabou? Claro que não! Era uma vaga de telemarketing, eu tinha que provar que era boa o suficiente para dizer “fulana de tal, bom dia, em que posso estar lhe ajudando? um momento, por favor, que vou estar transferindo sua ligação”. Tive que passar por mais uma dinâmica e, finalmente, uma entrevista que me qualificaria – ou não – para o treinamento, este também de caráter eliminatório. Ufa!!!

Após esta maratona, fui informada de que tinha que aguardar uma ligação marcando o meu treinamento…

Continuando a retrospectiva…

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De março a julho de 2001, fiz a monitoria remunerada no museu etnográfico da universidade. Gostei tanto do trabalho que passava mais horas no local do que o tempo exigido no contrato. Era bom demais pesquisar, e o que aprendi valia muito mais do que a parca remuneração depositada mensalmente em minha conta corrente.

Além disso, esse período de aprendizado e dedicação me rendeu bons frutos logo: em julho, quando expirava a minha monitoria, foram abertas duas vagas de estágio no museu (destaque para o valor da bolsa: R$260,00, um pouco acima do salário mínimo da época), e fui convidada para ocupar uma delas, sem participar de novo processo seletivo.

Foi praticamente como ganhar na loteria: antes de começar o 4º período de meu curso eu conseguira uma vaga cobiçada – e disputadíssima, visto que os estágios remunerados são limitados – pelos alunos da universidade, ganhando um salário considerável por mais dois anos!

Portanto, de julho de 2001 a julho de 2003, trabalhei na catalogação e conservação do acervo etnográfico da instituição e em seus projetos de ação educativa. Cuidava das peças antes de irem para a exposição, acompanhava as visitas das escolas, participava de trabalhos de campo em cidades da região, desenvolvia cursos de extensão em escolas…

Enfim, vivia naquele e para aquele museu. Além de ser meu ganha-pão, era meu refúgio. Enquanto a faculdade às vezes era entediante com suas intermináveis teorias, no estágio o meu prazer era fazer algo prático, pois tudo o que eu lia nos livros tinha que ser realizado em meu trabalho diário.

Foram dois anos de muito aprendizado, amizades consolidadas, momentos impagáveis. Neste período, creio que aprendi mais que em cinco anos de curso.

Quando o contrato do estágio acabou, tive que colocar os pés no chão, procurar um emprego de verdade, sem o privilégio de fazer somente o que gostasse.

Em busca de um novo emprego...

Em busca de um novo emprego...

E agora começa a história da Funcionária do Mês.

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Vagas para monitoria: uma fila para conseguir R$73 mensais...

Março de 2001. Anúncio de 3 vagas para monitoria remunerada no meu curso. Feita a inscrição, é chegada a hora da entrevista:

_ Duração da monitoria: 6 meses. Carga horária semanal: 12 horas. Remuneração: R$ 73 mensais. De acordo?

_ Ok.

_ Como você está há um ano no centro de documentação como voluntária, e isso vale pontos na classificação. Afinal, você já conhece o trabalho, já tem experiência…

_ Posso perguntar uma coisa?

_ Sim.

_ Tem uma vaga no museu etnográfico, não?

_ Tem, e você se interessa? Teria que aprender o serviço novamente.

_ Mas gosto muito de antropologia, seria muito bom aprender coisas novas.

_ E ele fica bem longe da universidade! Tem que ir de ônibus!

_ Não tem problema…

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Vale-transporte: praticamente um assalto à mão armada!

Resultado da seleção: consegui a vaga no museu etnográfico. R$73 a bolsa da monitoria. Com o vale-transporte, gastaria quase a metade desse valor.

Fui em uma loja de calçados e comprei um tênis novo, parcelando em 3 vezes. Bem mais barato que o vale- transporte. E mais seguro que uma bicicleta.

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Tênis pra que te quero!