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Em uma tarde de chuva e tédio neste feriado de Carnaval, aproveitei para assistir o filme “Conduzindo Miss Daisy”, uma comédia dramática que ganhou o Oscar de melhor filme em 1990.

Morgan Freeman interpreta Hoke Colburn, contratado para ser o motorista de Miss Daisy (Jessica Tandy), uma rica e geniosa judia de 72 anos. Ela não é a favor da contratação, pois ainda se julga capaz de dirigir, mas seu filho Boolie Werthan (Dan Aykroyd) insiste e a obriga a aceitar. Hoke é persistente e, aos poucos, consegue se aproximar de Miss Daisy e ambos constróem uma amizade verdadeira. Leia o resto deste post »

Só ontem assisti Invictus, que foi lançado em DVD em junho. Nunca falei sobre filmes aqui no blog – apesar de ser apaixonada por eles -, mas este filme me inspirou a isso. E é assim que defino o filme: inspirador.

Invictus narra a trajetória do líder sul-africano Nelson Mandela a partir de sua saída da prisão. Ele ficou preso por 27 anos por combater contra o apartheid, a política de segregação racial que esteve em vigor por décadas na África do Sul, que privilegiava a minoria branca do país em detrimento da maioria negra, condenada à violência e ao abandono.

Mandela saiu da cadeia em 1990. Em 1994, foi eleito presidente do país. Apesar de o apartheid não mais existir, o que se via era um país ainda dividido e com muitos problemas a serem resolvidos, e o filme mostra como o presidente usou o rugby, esporte idolatrado pelos brancos, para promover a tão desejada união.

No início do filme, uma série de imagens de discursos de Mandela durante sua campanha política e posterior eleição nos é apresentada, como em uma retrospectiva. A interpretação de Morgan Freeman é tão convincente que chega a confundir: confesso que cheguei a pensar que estas eram cenas do próprio Mandela. Freeman convence até no inglês com sotaque utilizado para sua interpretação.

Enquanto Mandela inicia seu mandato, o time de rugby do país, o Springboks, continua sendo derrotado em seus jogos, justamente quando o país se prepara para ser o anfitrião da Copa do Mundo do esporte, em 1995. O presidente, ao ver que os negros torciam contra o time e pouco conheciam sobre o esporte, adota uma ousada estratégia: aproxima-se da equipe de rugby e mobiliza o país para que todos torçam por ela.

A estratégia é vista com estranheza por todos. Mandela, obstinado, reune-se com o capitão do time, François Pienaar (interpretado por Matt Damon), em uma das cenas mais belas do filme: ele questiona o capitão sobre seu modelo de liderança, e este responde que lidera seus homens pelo exemplo. O líder diz que é preciso inspirar seus homens, fazê-los crer que são melhores do que pensam que são. E lhe fala um pouco sobre sua experiência na prisão, dizendo que usou um poema vitoriano para se inspirar durante o tempo em que permaneceu lá.

A conversa traz resultados e Pienaar intensifica os treinos com sua equipe, até que são surpreendidos com uma determinação do presidente: eles deveriam ensinar rugby às crianças que viviam nas favelas do país. A contragosto, o time inicia o novo trabalho, e o carinho demonstrado pelas crianças serve como uma nova forma de motivação.

Eis que a Copa do Mundo se inicia. Apesar de não serem os favoritos da competição, o país todo está ao lado dos Springboks. Pienaar, após a abertura do torneio, leva sua equipe para conhecer Robben Island e a prisão onde Mandela ficou. Ao conhecer o local, ele se questiona: “Como um homem que passou tanto tempo em uma cela apertada saiu pronto para perdoar todos aqueles que lhe colocaram lá?”.

Para ajudá-lo nos jogos, Mandela compartilha com o capitão o belíssimo poema que dá nome ao filme, escrito por William E. Henley:

“Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.”

Não vou contar o final do filme, claro. Se ainda não assistiu, reserve um tempo e veja, pois vale a pena. O diretor Clint Eastwood (“Menina de Ouro”, “Gran Torino”) nos brinda com uma bela história sobre um homem que deu ao mundo inesquecíveis lições sobre perdão, liderança, união, motivação e superação.

Recomendo!