Finalmente, no mês de julho, pude ler o último livro de Marian Keyes: “Cheio de Charme”, lançado em novembro do ano passado. O preço do lançamento estava um pouco salgado (R$ 59,00), por isso esperei que entrasse em promoção (paguei R$ 29,90 em uma promoção no Submarino). Valeu a pena esperar tanto, pois este, em minha opinião, é o melhor livro que já li da autora.

A princípio, imaginei que sentiria muita falta das aventuras das irmãs Walsh. Engano meu. O enredo é protagonizado por quatro mulheres tão distintas que torna quase impossível acreditar que as histórias irão se cruzar em algum ponto. Entretanto, a consultora de estilo Lola Daly, a jornalista Grace Gildee, a dona de casa marnie Hunter e Alicia Thornton têm um ponto em comum em suas vidas conturbadas: Paddy de Courcy, o político e solteirão mais cobiçado da Irlanda.

Lola tem seu coração partido por Paddy ao saber, através da imprensa, que ele vai se casar. O detalhe é que ela era sua namorada, mas não era a noiva. Após se humilhar, não receber ao menos uma explicação do cafajeste e quase acabar com sua carreira, Lola decide sair de Dublin e se exilar em uma cabana em County Clare, do outro lado do país. Lá, com a ajuda de novas amizades e novos interesses (por exemplo, ela torna-se a personal stylist de uma turma de cross-dressing!), fica mais fácil lutar contra a depressão.

Grace Gildee, por sua vez, tem um grande interesse em conhecer a história de Paddy a fundo: sua irmã, Marnie Hunter, foi gravemente enganada e abandonada por Paddy no passado. Hoje, apesar de ser bem casada e ter duas lindas filhas, ainda não conseguiu superar seu drama por completo. Grace deseja fazer justiça ao que aconteceu à sua irmã, mas aceita escrever a biografia de Paddy e, para isso, vai ter que trabalhar com ele. Será que Grace, também casada, vai ficar imune a seu charme? E qual segredo liga Grace, Marnie e Alicia?

Marian Keyes conseguiu, com maestria, mesclar as doses exatas de romance, drama e suspense para desenvolver uma trama fluida e de leitura envolvente, apesar da abordagem de temas polêmicos como violência doméstica e alcoolismo.

O formato do livro é inovador: as quatro personagens contam suas respectivas histórias em primeira pessoa, e cada história tem uma fonte tipográfica diferente, permitindo que logo identifiquemos a personagem daquele enredo. A autora também foi eficiente ao manter o suspense na transição da história de uma personagem para outra, sempre deixando uma pergunta sem resposta e colocando um trecho bem polêmico entre uma história e outra, fornecendo pistas sobre o que estava por vir, porém sem revelar os personagens envolvidos.

Devorei as 784 páginas em 3 dias, tamanha a curiosidade para descobrir o desfecho desta trama tão agitada. Não queria que acabasse mais! Agora, haja paciência para esperar o próximo livro de Marian Keyes.

Recomendo!

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