No final de outubro, venci um sorteio no Twitter da Editora Fundamento, e pude escolher qual livro queria ganhar. Dentre tantas opções excelentes no catálogo da editora, escolhi “Adeus, China – O Último Bailarino de Mao“, de Li Cunxin.

Quatro dias depois, recebi meu prêmio, mas estava decidida a ler somente em janeiro, já que estou totalmente enrolada com trabalho e estudo neste final de ano. Mas fiquei “namorando” o livro e não resisti: cinco dias depois, a leitura de suas 400 páginas estava concluída.

Há tempos não lia uma autobiografia, e este livro chamou minha atenção por contar a história de alguém que viveu na China de Mao Tsé-tung , o líder comunista que, com a ajuda da população camponesa, implantou a República Popular da China em 1949 e governou até sua morte, em 1976. Apesar de se autoproclamar o salvador dos chineses, em 1966 Mao lançou a Revolução Cultural, para fortalecer ainda mais seu regime comunista, mas as condições de vida da população pioravam cada vez mais.

Como professora de História, sempre gostei de estudar sobre países comunistas. Mas foi a primeira vez que pude ver a China comunista sob a ótica de um chinês. E a leitura foi surpreendente.

Li Cunxin é o sexto dos sete filhos de Li Tingfang (seu pai, a quem chama de dia) e Fang Reiqing (sua mãe, chamada carinhosamente de niang). Nascido em 1961, morava com a família na comuna de Li, em Qingdao. Filho de camponeses, sofreu com a miséria e a fome, mas sua infância foi repleta de amor da mãe, ensinamentos do pai e brincadeiras com o irmão. Entretanto, baseado na história “O sapo no poço”, ele sempre teve vontade de sair do “poço” no qual vivia, conhecer o mundo e ajudar sua família.

Aos 11 anos de idade, sua vida sofreu uma reviravolta: ele foi escolhido para estudar na Academia de Dança de Pequim da madame Mao. Apesar de não conhecer nada sobre ballet, ele passou na seleção do projeto que visava levar estudantes para estudar a dança e servir à revolução do chefe Mao.

Separar-se da família não foi fácil, mas ele sabia que esta era a única oportunidade de poder ajudá-la. Assim, mudou-se para Pequim e iniciou uma rotina de rígida disciplina, que envolvia não só exercícios físicos, mas também estudos políticos. No final do primeiro ano, suas notas não eram as melhores (enfrentava dificuldades com a língua, já que começara a estudar tarde). Mas uma conversa de seu pai fez com que ele aumentasse sua dedicação e realmente descobrisse a paixão pela dança.

Tanto esforço foi reconhecido e, em 1979, ganhou uma bolsa de estudos de um ano no Houston Ballet, nos EUA. A viagem só foi possível porque o substituto de Mao no poder estava se reaproximando do mundo ocidental, embora com ressalvas. O choque de Li Cunxin ao conhecer um país capitalista é um dos pontos mais interessantes do livro, pois é quando ele descobre toda a manipulação e as mentiras pregadas pelo Partido Comunista em seu país.

Quando sua estadia se encerra, ele retorna à China e, dois meses depois, recebe novo convite de Houston para retornar aos EUA. O governo chinês, no entanto, nega a autorização. Após muito esforço, consegue a permissão, e volta ao país que o conquistou – e que também foi conquistado por seu talento. Mas o amor faz com que ele cometa a pior infração para um país comunista: a deserção. Ele se casa e se recusa a retornar à China, quase provocando sua prisão e gerando transtornos diplomáticos entre os dois países.

Mas Li Cunxin não desiste e continua a aperfeiçoar sua dança, apresentando-se em diversos países e se consagrando como um grande bailarino, mas sem desistir de tentar retornar à China para rever sua família.

O resto do livro? Não conto. Mas afirmo que vale a pena se aventurar nestas páginas que contam a superação, o amor à família, a dedicação à dança e as vitórias alcançadas por um camponês chinês. Além disso, para quem gosta de História, o livro é fundamental para que se possa conhecer os detalhes do governo de Mao.

Recomendo!

 

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