Hoje o dia começou mais feliz. Acredito que não só para mim, mas também para os mais de 55 milhões de brasileiros que conseguiram fazer prevalecer sua vontade nas urnas. Afinal, ontem o Brasil elegeu seu novo presidente: Dilma Vana Rousseff, 62 anos, a primeira mulher a ser eleita para o cargo político mais importante do país.

E que ninguém venha me acusar de feminista e dizer que fiz minha escolha apenas por ela ser mulher. Não sou irresponsável e me considero uma pessoa esclarecida politicamente. Acompanhei a trajetória de Dilma desde quando ela começou a se destacar enquanto ministra da Casa Civil, ou seja, bem antes de sua candidatura ser confirmada – fato que todos já sabiam desde meados de 2009.

Admito que minha admiração se fortaleceu quando, no ano passado, conheci melhor seu passado de luta contra a ditadura militar, o período mais cruel da história recente de nosso país – assim como admiro todos os que combateram este regime, colocando sua vida em risco. Dá para imaginar o quanto eu fiquei estarrecida com os absurdos virais acusando-a de terrorismo que entupiram minha caixa de e-mail durante a campanha eleitoral? Tais mensagens eletrônicas só comprovam a ignorância de quem os encaminha em relação à história do Brasil, pois é incoerente comparar a luta contra a ditadura a terrorismo…

Mas atualmente vivemos em uma democracia, conseguida a duras penas, claro, mas todos têm o direito de expressar sua opinião, desde que isso seja feito sem ofensas. Infelizmente, isso não aconteceu nesta eleição, que foi uma sucessão de baixarias dignas de roteiro de novela mexicana de quinta categoria, vindas principalmente do candidato que estava em 2º lugar, que chegou a apelar até para religião, esquecendo-se que o Brasil é um Estado laico).

Pena que a baixaria estendeu-se após as eleições. Desta vez, o alvo foram os nordestinos, acusados via Twitter de serem os (ir)responsáveis pela eleição de Dilma. Expressaram sua insatisfação através de xingamentos e ofensas que me recuso a reproduzir aqui, mas se você quiser ver alguns exemplos é só acessar o Diga não à xenofobia! e ler os tweets que pipocaram hoje na rede social. Ou então, pesquise as hashtags #nordestisto, #Norte/Nordeste, #Sul/Sudeste. Indignação foi o mínimo que senti.

O Brasil é um país tão rico culturalmente e esta riqueza se deve à miscigenação da qual nosso povo resultou. Entretanto, algumas pessoas menos esclarecidas insistem em querer separar a população entre superiores e inferiores, como se o valor de um ser humano estivesse vinculado à região em que ele mora ou ao saldo de sua conta bancária.

E é por isso que meu dia termina menos feliz do que começou. Triste ver ataques preconceituosos de gente que não sabe perder. A todos que se julgam “mais importantes”, “mais sábios” e com “mais consciência política”, deixo aqui o texto de Bertolt Brecht que resume minha opinião em relação a vocês:

O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Espero que Dilma honre a confiança que recebeu de milhões de brasileiros e nos presenteie com um governo de qualidade.

Até logo!

P.S.: sou paulista, moro em MG há 10 anos e não me considero superior a NINGUÉM por isso.

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