O petróleo é nosso! Será?

Na última semana, o Funcionária do Mês recebeu muitas visitas (obrigada a todos que passaram por aqui!), graças às postagens sobre os acidentes de trabalho que mutilaram dezenas de funcionários da fábrica de calçados Azaleia. Na terça-feira, o blog chegou a ficar em 6º lugar no ranking dos blogs WordPress que crescem mais rapidamente. Nem acreditei quando vi a lista!

Por isso, fiquei em dúvida do que escrever aqui. Sabe aquela sensação de querer agradar novamente e o medo de não conseguir? Então, ensaiei demais para voltar a postar, e a dúvida do tema da postagem ainda persiste.

O assunto da Azaleia me deixou muito indignada, e não foi só ele. No início da semana, a polêmica envolvendo a redistribuição dos royalties do petróleo no Brasil também me chocaram, assim como as manifestações realizadas no Rio de Janeiro (que contaram inclusive com a participação de vários artistas).

Pesquisando sobre o tema, descobri que as discussões sobre a divisão dos royalties do pré-sal começaram no ano passado, em agosto (veja mais informações aqui), com a criação da emenda Ibsen, de autoria do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), na qual ele alega que o dinheiro proveniente do petróleo deve ser dividido entre todos os Estados brasileiros, e não só entre aqueles onde ocorre a exploração do petróleo, pois o mesmo é uma riqueza que pertence ao país.

Entretanto, o governador do Rio de Janeiro – Estado mais beneficiado pelo pagamento mensal dos royalties – , Sérgio Cabral, organizou uma manifestação para protestar contra a medida, acusando-a de ser inconstitucional. Ela ocorreu no dia 17 de março, na Candelária, e reuniu milhares de manifestantes, incluindo artistas como Xuxa, dentre outros. Com a nova divisão, o Estado alega que a diminuição em sua arrecadação comprometem até mesmo a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que serão sediadas no Rio de Janeiro.

O presidente Lula, por sua vez, “lavou as mãos” e optou por não discutir sobre a nova partilha. Aliás, ele vem mantendo esta postura desde setembro de 2009 (leia mais sobre isso aqui). Eu, particularmente, esperava que o presidente defendesse uma opinião em relação a esta polêmica, mas penso que, obviamente, não quer comprometer a imagem de sua candidata nas eleições presidenciais…

Qual será o fim desta novela? O que se viu nesta semana foi um grande circo armado em torno do debate, com emoções à flor da pele em manifestações e declarações provenientes do Rio de Janeiro.

Será justo um único Estado abocanhar a maior fatia dos lucros? Quando Getúlio Vargas cunhou o termo “o petróleo é nosso”, será que ele se referia a todo o país ou somente ao Rio? Talvez esse dinheiro devesse ser empregado para diminuir as diferenças entre os Estados brasileiros, e não para aumentar ainda mais as desigualdades já existentes…

Aguardemos os próximos capítulos!

Até logo!

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