Há vagas?

Há vagas?

Julho de 2003. Fim do estágio, sem nenhuma possibilidade de renovação do contrato, por motivos burocráticos. O tempo se esgotara e não havia nada a fazer. Foi um mês de choramingos e intermináveis despedidas.

Minha única alternativa era sair em busca de um novo emprego. Afinal, ainda restava um ano e meio de curso para conseguir meu diploma.

Essa busca não foi nada fácil. Descobri que ter um curso universitário no currículo pode atrapalhar ao invés de ajudar na hora da procura. Por exemplo, quando levei meu currículo para uma vaga em uma lojinha de fotocópias, o gerente se assustou: “mas você está fazendo universidade, e é uma vaga para tirar fotocópias!”. Respondi: “eu sei, preciso de trabalho, não posso me dar ao luxo de escolher a vaga, o que eu conseguir está de bom tamanho”. Essa argumentação não o convenceu, e ele respondeu que, por eu ter uma formação superior, poderia arrumar um emprego melhor e deixá-lo na mão, ou então reivindicar salário melhor. Perdi a vaga.

Não sei quantos currículos deixei nesta pequena cidade de seiscentos mil habitantes. Apenas uma empresa estava contratando: a maior empresa de telemarketing da cidade. Aliás, esta empresa sempre contrata novos funcionários, não importa a época do ano, e tal fato se justifica pela grande rotatividade da mão-de-obra. Ou seja, isto não era um bom sinal.

Quando a situação ficou insustentável (contas vencidas + geladeira vazia + desespero = aceito qualquer emprego), um colega levou meu currículo para a tal empresa. No mesmo dia ligaram marcando uma entrevista para o dia seguinte. Na verdade, uma dinâmica. Passei.

Na semana seguinte, testes de audiometria e fonoaudiologia. Audição e dicção, passei. Em seguida, a parte considerada mais “difícil” segundo os recrutadores: uma redação e uma prova de português ridícula. Passei com folga…

Acabou? Claro que não! Era uma vaga de telemarketing, eu tinha que provar que era boa o suficiente para dizer “fulana de tal, bom dia, em que posso estar lhe ajudando? um momento, por favor, que vou estar transferindo sua ligação”. Tive que passar por mais uma dinâmica e, finalmente, uma entrevista que me qualificaria – ou não – para o treinamento, este também de caráter eliminatório. Ufa!!!

Após esta maratona, fui informada de que tinha que aguardar uma ligação marcando o meu treinamento…

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