E foi assim que descobri que passar no vestibular – mesmo que seja em uma universidade pública – é uma coisa, e poder cursá-la é bem diferente. Mas não queria perder a minha chance de poder ter um futuro melhor. Prefiro não acreditar em predestinação: correr atrás do que se deseja e traçar seu destino é bem mais animador!

Resolvi, então, pedir socorro a um tio. Deixei a vergonha em casa e o procurei, e ele respondeu:

_ Pode procurar uma pensão que eu pago!

Iupiiiii!!! Valeu, tio, eterna gratidão ainda é pouco pela sua valiosa ajuda! Vendi meu violão (eu não sabia tocar, mesmo…), peguei o ônibus e fui fazer minha matrícula na universidade.   viajante

Março de 2008. Vida nova: universitária, longe de casa e sem nenhum tostão no bolso. Essa história muitos conhecem! O teto e a comida estavam garantidos, mas e o resto? Tinha que arrumar um emprego!

A primeira coisa que consegui foi um estágio na universidade. Coisa fina, aprendendo sobre arquivos e restauração de documentos. Só tinha um “pequeno” detalhe: voluntário! Ok, sem problemas, preenchia meu tempo e aprendia coisas novas.

No início, minha única renda extra, além da ajuda suada de meus pais, provinha da venda de minha pequena coleção de CDs, livros e revistas. Fiz a festa de uns dois sebos aqui na cidade, já que eles são experts em comprar a preços muuuito baixos e revender por uma pequena diferença do valor do mesmo produto ainda novo. E confesso que meu coração ainda dói quando lembro de algumas preciosidades que vendi a preço de banana…

Tentei, mais uma vez, a venda direta: catálogo de cosméticos e semi-jóias. Quase tive prejuízo com os  cosmetcosméticos, pois sou consumidora compulsiva destas promessas de felicidade em frascos. Quanto às semi-jóias… Eram tão caras que tinha medo de ser roubada se carregasse o mostruário na bolsa. Já viu garota do interiorrrr que acabou de chegar na cidade grande? É medrosa e desconfia até da própria sombra…

O ano de 2000 acabou, e fui passar as férias na casa de meus pais. Um ano e ainda não tinha conseguido nenhum trabalho! O que fazer?

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