Faz tempo que não escrevo sobre o que anda acontecendo no mundo. Já falei da polêmica dos royalties do pré-sal, da efemeridade das tragédias (que merecia até uma atualização para incluir as enchentes que assolaram AL e PE, recentemente), dos acidentes de trabalho na Azaleia…

Mas não posso deixar de comentar sobre o caso do goleiro Bruno e sua amante Eliza Samúdio, que transformou os noticiários em um circo de horrores. Um escândalo envolvendo um ídolo do futebol justamente no momento em que o “país do futebol” foi eliminado da Copa do Mundo. O que não deixa de ser uma ironia…

Assisti a tudo chocada. Quando penso que já vi tudo que a maldade humana é capaz , a crueldade do homem faz coisas que me surpreendem mais. A maneira como a moça foi morta, os detalhes do que ela sofreu, sei que não vamos saber por completo. Mas o que mais me chocou foi a maldade dos comentários no Twitter sobre Eliza, transformando a vítima em algoz. Tremenda inversão de valores que observamos nos dias de hoje.

Se ela tinha uma reputação duvidosa, se era garota de programa ou atriz de filme pornô, quem somos nós para julgá-la? E por acaso isso a faz merecedora deste fim trágico? Se ela queria tirar proveito da situação de ter tido um filho com um jogador de futebol, isso dá a Bruno – ou seja lá de quem praticou este crime hediondo – o direito de agir assim? A revista Veja da semana passada publicou uma matéria sobre o caso, antes da reviravolta que acompanhamos nos últimos dias, na qual dava detalhes sobre as orgias que envolvem o mundo do futebol e sobre a vida de Eliza, como que tentando justificar o que aconteceu com ela. Pelo menos, foi essa a mensagem que a reportagem me transmitiu.

É muito fácil sentar-se no conforto de seu lar e teclar absurdos contra uma pessoa que já se foi. Afinal, ela não está aqui para se defender. E quem iria defendê-la? A mãe que a abandonou aos 5 meses de vida ou o pai, acusado de estuprar sua outra filha quando ela tinha 10 anos? Qual o futuro do bebê, que agora está sozinho no mundo?

A violência se banalizou de tal forma que as pessoas, principalmente no Brasil, matam e pensam que continuarão impunes – e é assim que geralmente funciona, não é mesmo? A menos que o fato cause comoção – vide Isabella Nardoni -, as chances de impunidade ou pouco tempo na cadeia são grandes.

Como será o desfecho dessa história? Mais um caso sem solução ou os culpados pagarão pelo crime? Independentemente do que você fez em sua vida, Eliza, você foi a vítima, e espero que descanse em paz…

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